Em contextos urbanos contemporâneos — como São Paulo, Lisboa e outros centros globais — o acesso à referência deixou de ser escasso.
Hoje, ele é contínuo. Imagens, projetos, soluções.Tudo disponível, o tempo inteiro. E, à primeira vista, isso amplia possibilidades. Mas, na prática, começa a interferir.
O que antes servia como repertório passa, pouco a pouco, a ocupar o lugar da decisão. E o espaço deixa de ser construído a partir de quem habita para refletir aquilo que foi visto. É nesse ponto que muitos projetos começam a perder identidade não por falta de investimento, mas por excesso de referência sem direção.
Nem toda referência foi pensada para ser aplicada.
Crédito: Armando Salas Portugal
Assim como em contextos expositivos internacionais,cada proposta responde a uma lógica própria de escala, de intenção, de linguagem e de lugar.
Crédito: Armando Salas Portugal
Quando deslocada, pode perder força.Ou simplesmente não encontra lugar.
O ponto não está na referência.Está na ausência de leitura.
Crédito: Edmund Sumner
Projeto: India Mahdavi
Crédito: Simon Upton
A complexidade não está no excesso, mas na ausência de relação.
Existe uma diferença silenciosa entre um espaço que se impõe e um espaço que se integra.
Ela não se resolve na imagem.Se resolve na relação. Proporção, luz, circulação, materialidade. Não como elementos isolados,mas como estrutura. O ponto não está na referência. Está na ausência de leitura.
Projeto: India Mahdavi
Sem essa leitura, a escolha deixa de ser estruturale passa a ser reativa. Guiada por impacto, não por coerência. Isso se torna ainda mais evidente em projetos de interiores contemporâneos, especialmente em rotinas intensas, onde o tempo é limitado e a decisão precisa ser clara antes de ser visual.
Existe uma diferença silenciosa entre um espaço que se impõe e um espaço que se integra. Ela não se resolve na imagem. Se resolve na relação.
Tatiana BilbaoProporção, luz, circulação, materialidade.Não como elementos isolados,mas como estrutura.Talvez por isso um movimento mais contido comece a aparecer. Menos estímulo. Mais permanência. Menos imagem. Mais presença.
O que alguns chamam de “grannycore” não é nostalgia. É uma resposta. Uma forma de reorganizar o excesso e recuperar uma relação mais direta com o tempo, com o corpo,com o que é essencial.
Nesse cenário, o projeto deixa de ser soma.E passa a ser filtro.
“Não é sobre o que você adiciona, mas sobre o que você deixa permanecer.”
Axel Vervoordt
Saber o que não entra é o que permite que o espaço permaneça. Para quem vive uma rotina exigente, isso não é detalhe. É o que define se o espaço acompanha ou passa a exigir atenção.
No fim, o que sustenta não é o que foi escolhido por impulso.
É o que permanece — quando o excesso deixa de conduzir a escolha.
Adriana Baccari
BACCARI Design Interiores | Engenharia | Real Estate











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