Saga da reforma na casa de praia




Minha casa de Ubatuba, hoje, é muito bonita. Não que antes fosse "feia", mas muitas coisas precisaram ser ajustadas (e bota ajuste nisso!) depois que resolvemos fazer uma "reforminha".
Um breve histórico: a casa foi comprada no final de 1982 e era um imóvel já muito antigo. Fizemos pequenas adaptações (dentre as quais merece destaque um quiosque de sapé nos fundos) e tava tudo belezura.
Tava nada, né? Porque a casa era veia. Em 1989, resolvemos fazer "a reforma".
Em vez contratar um profissional de projetos consultar um engenheiro, ou mesmo um mestre-de-obras de boa procedência, chamamos um pedreiro (que também era jardineiro, pescador, caseiro, consertador de bicicleta e meia-esquerda do XV da Lagoinha).
E é aí que começa a saga tragicômica.
Não adianta falar do "durante", porque não haveria mesmo o que falar. Basta dizer que o "encarregado" levou quase um ano para concluir sua "obra". Pode parecer muito tempo, mas diante do altíssimo número de cagadas é razoável dizer que foi quase um recorde. Afinal, para errar TANTO, na boa, qualquer mortal precisaria do triplo do tempo.
Duvidam? Então vejamos:
A Ducha dos Fundos
Toda casa de praia que se preze tem uma ducha nos fundos. Claro que, na reforma, o genial construtor previu esse item. Mas ele não era exatamente uma pessoa detalhista. Tanto que se esqueceu de pôr ralo no chão da ducha.
água que escorria ia direto para o gramado da parte lateral da casa. Seguramente isso está entre os melhores momentos da construção civil.
A Escadinha Ridícula
A casa hoje tem uma varanda muito linda na parte superior. Antes era apenas uma laje e, para chegar até lá, tínhamos uma "escada". Bom, não sei se é justo com as demais escadas chamá-la assim. Afinal, CADA DEGRAU ERA EXATAMENTE DO TAMANHO DE UM TIJOLO "DE LADO".
Subindo "normalmente", ginastas romenas ou bailarinas chinesas talvez conseguissem chegar ao décimo degrau sem ter câimbras (dali elas não passariam, claro). A nós mortais restava empregar técnicas de escalada em rocha para chegar à laje.
De todo modo, acho que ele fez isso porque considerava perigoso subirmos até lá, então a escada era uma forma de nos impedir de correr tal risco.
A Mureta de Um Tijolo Só
Este é um mundo perigoso e naquela época já havia uma grande preocupação com a segurança pública, a integridade física e, claro, a proteção do lar. Foi provavelmente pensando nisso que o Einstein de Obras fez uma mureta de UM TIJOLO DE ESPESSURA.
Seguinte: ele colocou tijolo sobre tijolo num desenho mágico. E só. Tínhamos uma brincadeira interessante que era a de fazer a parede "entortar", numa mistura de Hulk com Uri Geller, mas sem precisar da força do primeiro ou da paranormalidade do segundo. Bastava só dar um puxãozinho.
A "mureta" (peço desculpas às demais muretas por usar o nome em vão) ficava numa das laterais da casa e depois de um tempo resolvemos "reforçá-la" - ou seja, subir uma paredinha minimamente razoável.

Degraus-Surpresa
Ah, o pedreiro era um grande piadista! Para nossa surpresa - e as surpresas eram muito freqüentes - ele distribuiu 1500 degraus pela casa, de forma aleatória. Claro que logo nos acostumamos e não caíamos nos truques - isso levou aproximadamente cinco anos.
Antes disso, porém, caíamos na "pegadinha do degrau" e a coisa mais comum era alguém arrancar bifes do pé em topadas nas lajotas.
As visitas também adoravam. Às vezes tentávamos avisar, mas não dava tempo nem de falar "cuidado com o degrau", pois no meio da palavra "cuidado" já tinham topado com uns três ou quatro obstáculos.
A Cacho-Lareira
Na primeira chuva torrencial que pegamos (ou seja, logo que chegamos, pois em Ubatuba só chove...), fomos todos para a sala por se tratar de um lugar supostamente coberto. Eis que nos deparamos com mais uma novidade da arquitetura: a "lareira sem tampa".
Todos devem saber (menos o pedreiro, claro) que as lareiras têm uma espécie de cobertura justamente para que não se transforme numa "cascata" nos dias de chuva.
O brilhante pedreiro, porém, ignorou essa regra; talvez preocupado com nossa saúde no que diz respeito à inalação de fumaça, ou mesmo interessado em nos brindar com uma cachoeira exatamente no meio da sala.
Enquanto as pessoas geralmente se queixam de "goteiras", nós tínhamos um toboágua particular; e quando falo "tobágua" não se trata de hipérbole, pois Ubatuba mais parece a planície do Laos. Ali não chove, mas sim há monções.
"Vitrô" Colado
Claro que o acabamento da reforma seguiu os mesmos padrões de todo o resto. A pintura, por exemplo, foi um primor; e aqui destaco a gracinha do nosso amigo pedreiro no que diz respeito aos "vitrôs" dos banheiros.
A alavanquinha de abrir e fechar, como em qualquer outro artefato do tipo, já costuma ser meio dureza. E o que faz o cara? PINTA POR CIMA! E passa várias demãos. Resultado: os "vitrôs" ficaram, todos, na posição "semi-aberto".
Imaginem vocês quão prejudicada ficou a privacidade de quem pretendesse pôr em funcionamento a "Olaria Barroso".
Enfim...
Fizemos uma série de "mini reformas" para, digamos, "aparar as arestas" do pedreiro de araque, até que finalmente resolvemos praticamente derrubar a casa para construir uma nova morada.
E, agora sim, tudo está muito bonito, sem degraus, com escadas feitas para seres humanos, lareira devidamente planejada, muretas razoáveis etc etc etc.
(assim como a reforma malfadada, este texto não tem revisão)

Reforma para a  maioria das pessoas é sinônimo de estresse e dor de cabeça,e quando não planejada então... Encontrei esse relato de uma narrativa real vista pelo lado cômico que da a dimensão da saga que tudo pode virar.

Encontrei  aqui.

Até o próximo post .

Abç,

a tds.


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